A ESPETACULAR CHARANGA DO FRANÇA
Antes de ser bloco, banda ou evento de Carnaval, A Espetacular Charanga do França é um projeto de cidade. Um gesto que diz: a cidade não é só trânsito, ruído, pressa e concreto.
Liderada pelo saxofonista Thiago França – que nos deu a honra de um longo bate-papo que você pode assistir AQUI ou mais no final dessa matéria – a Charanga nasceu da vontade de levar a música de volta às ruas de São Paulo de forma simples, acessível e coletiva.
A escolha da “charanga” como formato não é casual. Sopros e percussão carregam uma memória profunda: bandas de coreto, festas populares, procissões, carnavais antigos, bailes de rua e, no caso, a Charanga do Galo no estádio do Mineirão.
E ao desfilar sem trio elétrico, sem barreiras rígidas, sem separar quem toca de quem dança, o bloco propõe um modelo alternativo de celebração: mais próximo, mais horizontal, mais humano.

Há algo de profundamente político nisso — no melhor sentido da palavra. Não o político do discurso, mas o político do som que se espalha e proporciona o encontro, que acontece apesar de tudo.
Não é coincidência que o grupo tenha criado raízes em bairros centrais como Santa Cecília. O centro de São Paulo, tantas vezes tratado como problema, ameaça ou ruína, aparece aqui como território de potência cultural. E ocupa ruas, largos e avenidas como uma reapropriação.

O repertório mistura marchinhas, samba, referências populares brasileiras, versões instrumentais de músicas famosas misturadas com outras autorais. Um bloco onde o jazz se mistura com maxixe, o funk aparece onde menos se espera e Michael Jackson vira trilha de cortejo.
Um repertório que, segundo Thiago, serve também como “filtro às avessas” para o público – incluindo aquilo que tentam excluir. Tudo pensado de forma coletiva, pois a proposta não é um espetáculo para assistir, mas experiência para participar.

Mas reduzir a Charanga ao Carnaval seria injusto — e raso. E por isso nosso convite vai mais além:
Ao longo do ano, o projeto se estende em oficinas musicais, ensaios abertos e processos formativos, criando caminhos reais de acesso à música de sopro e percussão. Não se trata de formar músicos, mas de formar cidadãos sonoros, gente que entende a música como linguagem coletiva, ferramenta de expressão e vínculo social.
As oficinas funcionam como programas culturais de base: aproximam jovens, curiosos, músicos iniciantes e experientes; criam comunidade; estimulam disciplina criativa, pertencimento e a ocupação consciente da cidade.
Assista aqui a entrevista completa com Thiago França:
Participe das oficinas durante o ano, acompanhe a agenda de apresentações e ensaios abertos pelo Instagram @charangadofranca e participe do desfile da Espetacular Charanga do França, sempre nas manhãs das segundas-feiras de Carnaval.







