GAVIÕES: UMA ESCOLA, UMA VOZ, UM CARNAVAL
O Carnaval de São Paulo pode ser entendido por muitas lentes: a grandiosidade dos desfiles, a força das comunidades, a diversidade de enredos, a disputa acirrada no Sambódromo. Mas, às vezes, é ao acompanhar a trajetória de uma única escola — e de uma única voz — que se revela a dimensão real dessa festa. A história da Gaviões da Fiel e do seu intérprete, Ernesto Teixeira – cuja entrevista completa você pode assistir AQUI ou um pouquinho mais abaixo, no final dessa matéria – ajuda a contar muito mais do que um desfile: ajuda a entender o próprio Carnaval paulistano.

Fundada a partir da paixão pelo Corinthians, a Gaviões construiu um caminho singular dentro do samba. Soube transformar identidade popular em linguagem carnavalesca, arquibancada em coro, torcida em comunidade. Desde cedo, a escola mostrou que seu lugar não era apenas o da provocação ou do impacto visual, mas também o da consistência artística e do envolvimento coletivo.
Ao longo dos anos, consolidou um estilo próprio: enredos diretos, comunicação clara com o público, sambas que convidam a cantar junto e desfiles carregados de emoção. Uma escola que nunca perdeu o vínculo com a rua e que entende o Carnaval como espaço de pertencimento.

A voz que conduz o desfile
Dentro dessa engrenagem complexa que é um desfile de escola de samba, o intérprete ocupa um lugar central. É ele quem traduz o enredo em emoção, quem sustenta o samba durante toda a travessia da avenida, quem dialoga com a bateria, com a escola e com a arquibancada.
Ernesto Teixeira construiu sua trajetória exatamente nesse ponto de equilíbrio entre técnica e entrega. É ele que, há mais de 4 décadas, dá voz à escola. E é o único intérprete que a Gaviões teve até hoje, desde que se tornou uma escola de samba.
Seu canto não é apenas preciso; é narrativo. Ao interpretar os sambas alvinegros, Ernesto conduz uma história coletiva, carregada de identidade, memória e paixão.
Ao longo de sua caminhada, ele se tornou uma das vozes mais reconhecíveis do Carnaval de São Paulo — não apenas pelos títulos ou pelos desfiles marcantes, mas pela capacidade de criar conexão imediata com quem assiste.

Um Carnaval feito de muitas escolas
A história da Gaviões da Fiel se entrelaça com a de tantas outras escolas que constroem o Carnaval paulistano: Vai-Vai, Nenê de Vila Matilde, Camisa Verde e Branco, Unidos do Peruche, Mocidade Alegre, Rosas de Ouro, Mancha Verde, Águia de Ouro, Acadêmicos do Tatuapé, Império de Casa Verde, Dragões da Real, Tom Maior e nossa também querida Pérola Negra — cada uma com sua estética, sua comunidade e sua forma particular de ocupar a cidade.
Juntas, elas ajudaram São Paulo a construir um Carnaval plural, competitivo e profundamente ligado aos seus territórios. Um Carnaval que não acontece apenas nos dias de desfile, mas ao longo de todo o ano, dentro das quadras, nos ensaios, nas rodas de samba, nos barracões.
São espaços que funcionam como centros culturais permanentes, onde se aprende música, costura, dança, cenografia, história oral e, sobretudo, pertencimento. E onde personagens como carnavalescos, presidentes, mestres-salas, porta-bandeiras, compositores e intérpretes se tornam referências para gerações inteiras.

Mais do que desfile: convite à vivência
Falar da Gaviões da Fiel e de Ernesto Teixeira é também fazer um convite. Um convite para ir além da transmissão televisiva, além do resultado final, além da tabela de notas. Conhecer uma quadra, assistir a um ensaio, acompanhar a composição de cada estrofe e as notas que melhor ajustam aos versos, sentir a energia de uma comunidade em movimento.
O Carnaval de São Paulo se revela por inteiro quando é vivido de perto e a Gaviões é uma porta de entrada muito especial — mas não a única.
Que o público se permita atravessá-las. Porque entender o Carnaval é, antes de tudo, ouvir suas vozes. E algumas delas, como a de Ernesto Teixeira, seguem ecoando muito além da avenida.
Veja aqui a entrevista completa:






