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No livro “O Alquimista”, Paulo Coelho conta a saga do jovem pastor Santiago que, após ter um sonho repetido várias vezes, decide partir em uma longa viagem pelo mundo em busca de um tesouro escondido. Ao contrário dele, Gentil Benedito Sampaio, personagem central desta narrativa, sempre soube muito bem onde seu “ouro” estava guardado.

Essa história começa nos tempos do Brasil Colônia, quando o então Caminho dos Guaianás passou a ser utilizado pelos portugueses para transportar o ouro de Minas Gerais até o porto de Parati para então enviá-lo a Portugal. Este caminho foi batizado de Estrada Real, mas ficou conhecido mesmo como o “Caminho do Ouro”. O último posto alfandegário deste caminho foi instalado na Fazenda da Barreira, onde hoje encontramos o restaurante Antigo Caminho do Ouro.

A fazenda pertence à família Sampaio há mais ou menos um século e preserva muitas das características originais, incluindo parte das edificações da alfândega. Do bisavô passou para o avô, depois para o pai e hoje pertence aos irmãos, cujos filhos (pelo menos os mais velhos) já trabalham juntos na casa que, para se tornar um restaurante, teve de sobreviver a diversos entreveros e tentações, que vão desde a venda da fazenda até a crença na “lenda do ouro”, espalhada pela região, que dizia que os antigos funcionários portugueses haviam escondido pepitas durante anos sob o chão da alfândega.

Mas o restaurante (que agora é também pousada) não foi fruto apenas de uma idéia. Sabedores da necessidade de trabalhar duro por seus sonhos, os irmãos Gentil, Gentilina (a Tininha), Alda e Gabriela trabalharam – e ainda trabalham – em tudo que for preciso, como na plantação do copos de leite que fornecem para toda a região. Junte-se a eles Alan, filho do Gentil e, quando preciso, Tiago, filho da Tininha. É de se esperar que chegará a hora do pequeno Eduardo e até do recém-nascido João Pedro ajudarem…

Nos últimos anos, além de tudo isso, todos eles correram atrás, cada um por seu lado, de aperfeiçoar seus conhecimentos na gastronomia e atendimento para a concretização do projeto da família.

E foi nessa que Gentil foi parar em Parati, charmosíssima cidade do litoral fluminense a menos de 30 km de seu restaurante, mas com um acesso muito complicado através de uma estrada linda e muito perigosa.

Em Parati, permaneceu durante anos, ganhando experiência em diversos restaurantes até se tornar uma espécie de “sous-chef” de Dario Rossera, dono e chef do premiadíssimo restaurante Villa Verde. É a ele que Gentil credita todo seu “know how” no preparo de massas e frutos do mar.

O restaurante Antigo Caminho do Ouro abriu suas portas no início de 2009, próximo a pontos hoje turísticos como a Pedra da Macela, a cervejaria Wolkenburg e a cachoeira do Mato Limpo, com a família toda se revezando no atendimento às mesas, no caixa, nas compras e na cozinha, coordenada pelo Gentil.

E é uma cozinha que já não passa mais despercebida, principalmente pelos turistas. É comum ver o pátio lotado de carros e as mesas cheias de gente que vai atrás não apenas das massas frescas e leves, preparadas no mesmo dia, criativas e bem elaboradas, mas também de todo um contato com a tranquilidade e com a natureza impossíveis de se conseguir nas grandes cidades.

Mesmo se intitulando cozinheiro e recusando o status de “chef”, é fácil perceber o talento de Gentil em pratos como um tagliarini ao pesto com nozes, uma moqueca de peixe, um risoto com rúcula, tomate seco e gorgonzola, um ravióli de abóbora com carne seca e queijo branco e outras maravilhas, tudo servido fartamente e preparado utilizando as hortaliças orgânicas da própria fazenda, carnes produzidas na região e peixes e frutos do mar comprados semanalmente em Parati.

Também é fácil reparar na beleza da região em volta, já que a casa fica sobre uma montanha à beira da estrada Cunha-Parati, cercada por vacas, cavalos, jabuticabeiras e araucárias, no meio da Mata Atlântica e de frente para as plantações de copos de leite.

É fácil perder horas ali curtindo o silêncio da paisagem, beliscando uma porção qualquer de mandioca ou de berinjela e acompanhando tudo isso com um bom vinho, alguma caipirinha ou com a cerveja artesanal fabricada a uns poucos metros dali.

E é mais fácil ainda observar onde está, afinal, o bem mais valioso do Antigo Caminho do Ouro: mais do que qualquer metal ou joia, ele está na força de uma família unida, esforçada, talentosa, incrivelmente simpática e, claro, muito gentil, que recebe todos os visitantes de braços abertos.

Endereço & Contato

Endereço:

Rodovia Vice Prefeito Salvador Pacetti, Km 64

GPS:

-23.151537, -44.876190

Telefone:
E-mail:

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Web:

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