Por Pedro Schiavon

“Um país não pode ser um país de verdade se não tiver ao menos uma cerveja e uma empresa aérea. Ajuda se tiver uma equipe do futebol ou armas nucleares, mas o mais importante é a cerveja” (Frank Zappa)

Zappa sabia das coisas. Era um cara que fazia de tudo um pouco e lançou 60 discos bem diferentes um do outro, nos quais tocava vários instrumentos e desenhava a capa. Estava sempre disposto a experimentar novidades e se sentia apto a avaliar o potencial de uma nação através do conceito acima. Ele ia adorar o Bar do Magrão.

O Bar do Magrão é um lugar meio difícil de explicar. Original, cheio de personalidade e instalado num lugar bem improvável do Ipiranga, já quase no Sacomã, o botequim tem jeitão de pub, destacado pela iluminação baixa e pela grande oferta de cervejas do mundo todo.

O jeito é ressaltado também pelo velho e bom rock and roll que sai de suas caixas de som, já que Luiz Antonio Sampaio, o Magrão, é roqueiro de carteirinha e no seu aparelho de som só toca coisas como Stones, Led, Beatles, Floyd, Hendrix e afins.

Mas o bar não é bem um pub, pois é aberto, com algumas mesas dentro e outras na calçada e alguns degraus onde o povo se amontoa quando a casa está cheia, o que acontece quase todos os dias.

A decoração também não parece com nada, mas é muito bacana. A casa é completamente abarrotada de quinquilharias doadas pelos freqüentadores. São coisas como instrumentos musicais, luvas de boxe, sapatos de palhaço, pratos e pranchas de surf, com destaque para a múmia pendurada no teto – herdada de um Halloween – e para os relógios parados atrás do balcão, marcando 5 minutos para as 5 horas, horário em que o bar abre suas portas, pontualmente, durante a semana.

Outra peculiaridade é que o bar é meio vizinho / meio anexo à Cantina do Magrão, que obviamente é do mesmo dono. Ocorre que, com a existência do bar desde 1995, Mônica, esposa do Magrão, começou a usar a cozinha durante o dia para fazer massas frescas e vender na rotisseria que abriu ao lado. Só que a clientela, que em boa parte era formada por frequentadores do bar, pedia uma cerveja, sentava para conversar e acabava por comer a massa ali mesmo, em mesas improvisadas na calçada.

Como uma coisa leva à outra, a rotisseria virou cantina em 2000 e passou a funcionar ao lado do bar. Oficialmente, são casas distintas, mas como a informalidade impera no pedaço, é comum os fregueses estarem em um e pedirem coisas do outro.

Diga-se de passagem, mesmo o bar tendo ótimas opções de petiscos, incluído aí diferentes tipos de escondidinhos, é muito difícil resistir ao raviolli di nonno, feito com massa verde de espinafre e recheio de vitela, ou ao pavoni, que leva damasco e queijo brie.

Mas como Zappa disse que o que importa é a cerveja, concentremo-nos no boteco. Ali tem cerveja para qualquer um se esbaldar e tentar avaliar as qualidades de cada país. Há coisas como a francesa Bière du Désert, a belga Kasteel Rouge, a irlandesa Guiness, a tcheca Primátor, a Holandesa Urthel, a alemã Warsteiner e dezenas de outras.

A ideia é a seguinte: sente-se, experimente e embarque numa viagem de país em país através das cervejas. Se você vai aprender alguma coisa sobre esses lugares, não sei. Se vai ter grandes lembranças de viagem, é pouco provável. Mas que será uma maneira bem divertida de dar a volta ao mundo, lá isso será.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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