Por Pedro Schiavon

Imagine a seguinte cena: o sujeito vai pela primeira vez a um centro espírita, meio ansioso e com um pouco de medo do que poderá encontrar. Já está quase relaxado quando o chão começa a tremer de forma assustadora e ele sai correndo para bem longe dali e sabe-se lá se um dia vai voltar.

A história é contada pelo jornalista Gilberto Amendola, do Jornal da Tarde, e já virou folclore na região de Pinheiros, onde o fenômeno sobrenatural acontece com certa frequência no Centro Espírita Mensageiros da Paz e Esperança.

Na verdade, ele acontece em todas as noites quentes, quando os potentes ventiladores de teto do vizinho de baixo, o Bar do Salim, precisam ser ligados, refrescando todos os frequentadores do andar de baixo e fazendo tremer todo o assoalho do andar de cima do belo casarão de 1937.

A convivência entre os dois lugares tão diferentes, ao contrário do que se possa imaginar, não só é pacífica, como é bem-vinda por ambas as partes, que estabeleceram algumas regras de boa vizinhança e juram que muitas pessoas aproveitam para frequentar os dois lugares no mesmo dia. Coisas de Brasil…

Bom… o Bar Salim nasceu de um antigo botecão meio largado e despercebido naquela esquina, que pertencia ao Salim e que já se chamava Bar do Salim. O Salim atual comprou o Bar Salim do antigo Salim. Isto é: o primeiro Salim montou o boteco. O segundo Salim comprou dele e reformou. O segundo Salim não se chama Salim, conforme confidenciou o garçom, mas como todo mundo o conhece como Salim e como o bar se chama Bar Salim, ficou sendo Salim e pronto. Super simples, não é?

A reforma deixou o lugar lindo, envidraçado e amplo, não lembrando em nada o antigo boteco, mas ainda com ares de boteco. Também nada ali, exceto a comida, lembra a culinária ou a cultura árabe. Não há pôsteres, nem fotos, nem bandeiras, nem música árabe, mas é árabe. Não há sequer uma placa que indique que ali seja o Bar do Salim, mas é o Bar do Salim.

E um boteco árabe não é uma coisa muito comum de se ver por aí. O que se vê são alguns bons restaurantes, um montão de kebaberias e infinitas lanchonetes bem populares, no mau sentido. Boteco é diferente.

Neste boteco, há um grande balcão de acepipes, como em tantos bares, que é a única herança de antes da reforma. Neste balcão, no entanto, além dos tradicionais queijos, salsichinhas, cebolinhas, picles, pasteizinhos etc, há pequenas esfihas, quibes, ganeshes, homus, coalhadas e outros petiscos árabes.

Entre as bebidas, além de brasileiríssimas cervejas e caipirinhas, há coisas como o arak, bebida árabe destilada da uva ou da tâmara. E para manter a mistura de origens, o já famoso Falafé (abrasileirado de falafel), bolinho de fava com grão-de-bico moído, enrolado em sementes de gergelim e recheado de camarões graúdos inteiros.

Mas o forte da casa não poderia deixar de ser os pratos, não como os de um bar, mas como os de um restaurante de primeira linha. Destaque para o quibe de bandeja recheado e, principalmente, para a deliciosa kafta, servida assada em uma travessa no formato de um imenso hambúrguer, acompanhada de um molho de tomate cheio de especiarias.

A gastronomia árabe é fruto da riquíssima mescla das tradições do Oriente Médio com as culturas e tradições de vários povos e civilizações com as quais eles cruzaram por seus caminhos. Suas origens estão nos beduínos, cuja alimentação sempre foi influenciada pelo deserto que frequentemente atravessavam e pelos sabores que encontravam de um lado a outro, formando uma exótica e deliciosa “Cozinha das Arábias”.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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