Por Karina Del Monte Schiavon

Abençoar alguma coisa ou alguém é fazer com que seja celebrada, próspera, bendita. Na vida de Cátia Farias Fantone e de sua família, um doce feito com esmero tem tornado os seus dias mais venturosos: trata-se do quindim, ou melhor, o Bendito Quindim.

As habilidades culinárias de Cátia surgiram na infância, mas por muitos anos eram demonstradas apenas a um restrito grupo de familiares e amigos que frequentavam sua casa. Num passado recente, já casada e com filhos, o dom de cozinhar muito bem foi evocado para dar vida nova e restabelecer, tijolo por tijolo, todos os bens que a família acabara de perder. Foi assim:

De repente, não havia mais nada…

O que fazer quando a estabilidade de um trabalho de 30 anos se perde do dia para a noite e você se vê diante de alternativas pouco animadoras, como vender todos os bens para arcar com dívidas e ser comunicado de que não, aquela indenização esperada não será depositada em sua conta? Esse foi o cenário em que Cátia se encontrou e que a obrigou a usar as mãos e toda a energia de que dispunha para preparar doces e salgados das 8 da manhã até as 2 ou 3 da madrugada e levá-los a uma atenciosa amiga que se oferecera para vender o que ela produzisse.

Como já fazia quindins há muitos anos, preparou certa quantidade e os levou à amiga, que acabou achando os doces requintados e, portanto, merecedores de uma ocasião especial para serem comercializados. E como acreditava (e ainda acredita) que cada coisa acontece a seu tempo, o bendito tempo do quindim chegou em julho de 2011, quando ela, seu esposo e dois filhos abriram uma charmosa lojinha de 17m² no Tatuapé, com o nome de Bendito Quindim.

O local é um oásis para os apreciadores desse doce de ascendência afro-lusitana que Cátia produz com tanta criatividade, variedade de sabores, delicadeza e arte. O de Amaretto, por exemplo, traz em sua superfície uma pequena lâmina de amêndoa, cuidadosamente inserida sobre a fina camada de glucose que dá brilho aos quindins.

A paixão pela iguaria de açúcar, gemas, manteiga e coco foi o que deu firmeza aos Fantone para que a “massa” do quindim – e da vida – nunca desandasse. E valeu a pena.

Sem medo do futuro!

Há clientela consolidada na matriz do Bendito Quindim: mães e pais que de segunda a sexta vêm buscar os filhos na escolinha ao lado da doceria e que não deixam que dois ou três passos os impeçam de comer um quindim e tomar um café; a petizada que corre para lá antes que sejam detidos por seus pais; pessoas a caminho do trabalho ou na volta dele; outras que confessaram não gostarem de quindim, porém, rendidas pelo insistente convite de Cátia, o experimentaram e, convencidas, o incorporaram sem remorso à “dieta”.

Encontrar quem diga que esses são os melhores quindins que já comeu é algo rotineiro, assim como quem se encante ao sentir de fato o sabor que cada quindim diz ter. Várias gerações de uma mesma família se acomodam nas mesinhas da calçada em frente à loja e, sem pressa, experimentam brigadeiros de limão siciliano, de chocolate amargo e de todos os sabores disponíveis.

O roteiro gastronômico da cidade de São Paulo vem incorporando mais e mais opções de casas que oferecem um só tipo de produto, seja salgado ou doce.

O Bendito Quindim, que já inaugurou filial na Vila Olímpia, já faz parte desse roteiro, para alegria de quem mora ou vem visitar a metrópole, e também para celebrar a bem sucedida empreitada de Cátia e sua família.

Que tal inserir o Bendito Quindim em seu roteiro, também?

 

Karina Del Monte Schiavon é editora do Lugarzinho

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