Por Pedro Schiavon

O cardápio nos conta que o nome Carline surgiu da simples busca de uma escolha feliz. Faz sentido. Olhando de fora, o que se vê – sempre – são famílias, senhoras, crianças, executivos e até cachorros (muitos cachorros) que transformam o pequeno café numa grande festa.

A casa surgiu há dez anos como uma franquia da Cristallo, mas sempre demonstrou uma grande vontade de ser diferente. Em 2008, com o falecimento do Sr. Rubens Tilkian, seu proprietário, ela foi assumida por seus filhos, Rubinho e Roberta, que trataram de dar novos ares e sabores ao local.

Como quem assumiu o timão do barco foi a Cacilda, mãe dos meninos, essa vontade de inovar passou a ser uma obsessão. Era preciso criar novos salgados, novos doces, inventar pratos, acrescentar bebidas etc – tudo que uma franquia não permite.

Mas se um franqueador não permite ser mais, ele que fique com menos. Quando se há vontade, criatividade e dedicação, quem precisa ficar parado? Assim, em 2011 – com novo nome, novo visual, novos fornecedores e um novo e muito mais amplo e tentador cardápio – nasceu o Carline Café.

O que era bom, permaneceu no cardápio. As tradicionais coxinhas e empadas estão lá, mas ganharam a companhia de novos salgados como a torta de queijo brie com peito de peru, a torta mix de cogumelos e o tarte de camarão. Doces deliciosos como a bomba de chocolate, o mini Rocher e o Henrique I seguem enfeitando as vitrines, agora acompanhados pelo Baba Rhun, o damasco recheado com creme e bolos como o Bem-Casado ou o de nozes com fios de ovos. E os cafés e chocolates… ah, eles ainda estão lá, só que agora em mais de sessenta diferentes e deliciosas alternativas.

E o que faltava, agora tem. Com a mudança, o cardápio agora apresenta 10 opções de saladas, como a 3 em 1, que leva quinua real e vermelha, mussarela de búfala, tomate caqui, três tipos de alface, radicchio, cenoura, pepino e palmito. Apresenta também 12 pratos, 5 tipos de sopa e 13 sanduíches, que vão dos infantis cachorros-quentes aos mais criativos, como o que leva queijo de cabra boursin, abobrinha, rúcula, manjericão e azeite.

Mas talvez a maior mudança seja na parte de bebidas e coquetéis. Aberto até mais tarde, o café passou a oferecer vinhos de várias nacionalidades, bebidas tradicionais como whisky e vodka, e uma boa variedade de coquetéis – como o Carline, que leva prosecco, licor Curaçao e xarope de framboesa – cuidadosamente aprendidos pela equipe num curso com um dos melhores barman de São Paulo.

Novos ares, nova aparência e a sensação que fica é a de um lugar completamente diferente, com um charme que nada lembra qualquer franquia, e mais e mais gente chegando para curtir as manhãs e tardes no café.

Mas afinal, qual é a razão do Carline estar sempre cheio? Aparentemente, são muitas.

A primeira delas é a localização, na Praça Pereira Coutinho, um pequeno oásis da cidade. Implantada no meio de um dos bairros mais valorizados de São Paulo, nela convivem antigos e novos moradores, a metrópole e um certo ar do interior. A praça que esconde frutas como amora, abacate, caju, jambo, castanha e manga, dá abrigo diário às famílias que brincam com seus filhos ou passeiam com seus alegres cães.

Uma segundo razão é a simpática e eficiente equipe de funcionários. Dos que estavam lá quase desde o começo, como a Edy, a Ely, a Amparo e a Paula até a Milka e o Léo, passando pela Pati, a Cris, a Marry, a Carol, a Stela, a Helena e o Marcos, todos sempre foram conhecidos e queridos pelos clientes, que os sempre os chamaram diretamente por seus nomes ou apelidos.

Uma terceira razão pode-se creditar à eterna “inquietação” da Cacilda, que não para de acrescentar novidades ao cardápio, de implantar atrações à casa – como a música ao vivo todos os sábados e domingos – e de criar eventos como os de Dia das Crianças, Natal, Aniversário de São Paulo e Páscoa, quando a rua foi interditada para oferecer diversas atrações às crianças e aos frequentadores do café e da praça.

Um cartaz na parede do Carline conta um pouco da história da praça e do fidalgo português Pereira Coutinho, que foi literalmente devorado pelos tupinambás. Mas alerta que isso fora “apenas uma questão temporal e geográfica. Vivessem hoje e em São Paulo, Pereira Coutinho e os tupinambás estariam ali, juntos, saboreando um bom café e aproveitando as coisas boas da vida”.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

Endereço & Contato

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Praça Pereira Coutinho, 182

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-23.593883, -46.669600

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