Por Erick Marques

Vestidos esvoaçantes e de cores fortes, gestos inflamados, movimentos cercados por mistério, embalados por um ritmo hipnotizante e um visual sedutor. Parece fácil entender porque o flamenco desperta tanta paixão.

Mas é importante destacar que seu passado é regado de dor, perseguição e sofrimento. Ele tem um forte significado, não só para o povo espanhol, mas também para os mouros, judeus e, principalmente, ciganos.

O flamenco tem raízes nas culturas cigana mourisca e árabe, e surgiu como um canto para aliviar o sofrimento das lutas. Até então, essa “música espanhola” consistia apenas no canto. Somente muito tempo depois, com a introdução de elementos como a guitarra, as palmas, o sapateado e a castanhola, ele tornou-se uma dança típica e amada por todos. 

O CAF

Foi para manter essa chama cada vez mais acesa que a “bailaora” Lu Garcia criou, em 1997, o Centro de Arte Flamenca, um local que é, muito mais que uma escola, um espaço para preservação e divulgação dessa história, dessa arte, dessa magia.

No CAF, como Lu não cansa de repetir, a ideia é que as pessoas entendam a cultura flamenca, e não só a dança. “Porque o flamenco é uma cultura, uma arte viva. Se não for assim, a pessoa só irá repetir passos, sem saber o que está fazendo”.

Deste modo, quem vai conhecer o espaço encontra uma espécia de centro de cultura onde acontece uma série de eventos, como o Tablao, os bazares típicos, workshops e até sessões de cinema. E, claro, em todo ano, no mês de abril, a Feria de Abril.

A Feria de Abril

A ideia da “Feria” surgiu em 1846, em Sevilla, na Espanha, com aprovação da rainha Isabel II, e era para ser uma feira anual, sempre em abril, para compra e venda de gado. Com os anos, ela se converteu em uma das festas mais relevantes da cidade e mudou seu caráter mercantil para o de uma festa social. 

O Sevilhano, durante a “Feria”, converte a “Caseta” (estande da feira) em sua casa, onde recebe e atende a familiares e amigos e exerce a função de anfitrião. Nas “Casetas”, simples e belamente decoradas, não faltam o “Fino de Jerez” ou a “Manzanilla de Sanlúcar de Barrameda”, o “Jamón”, os camarões, o baile, as sevillanas, as palmas, a guitarra, o cante, a gaita e o “tamboril roceiro”. E nunca, nunca deve faltar “ese caldo del puchero” com um “chorreón de fino”, capaz de nos fazer sentir como novos…

Quem não entendeu, mas mesmo assim gostou do que leu, pode e deve ir conhecer a “Feria de Abril”, realizada  em parceria com a Soniquete, no primeiro final de semana de abril no Centro de Arte Flamenca de Campinas.

Lá, os visitantes desfrutarão de boa comida, bebida, música, aulas com profissionais renomados, Tablaos de profissionais e amadores e ainda dançarão sevillanas de forma descontraída e informal. Não faltarão os quejíos, os sapateados, os vestidos de faralaes e os gritos de “olé”!

 

Erick Marques é colaborador do Lugarzinho

 

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