Por Pedro Schiavon

Graças aos alemães temos o pára-quedas, a aspirina, as lentes dos óculos, o raio-X e – mais importante que tudo – a cerveja com salsichão e batata frita. Graças às guerras na Europa e uma certa maluquice de nosso Império, o Brasil é o único lugar do mundo onde há colônias alemãs. E graças a uma destas colônias – a de Santo Amaro – temos em São Paulo coisas como o Mosteiro de São Bento, o Clube Pinheiros, o Hospital Santa Catarina e, claro, muita cerveja com salsichão e batata frita.

Prometo ser breve nessa história, que é mais ou menos assim: na ocasião do casamento de Dom Pedro I com Dona Amélia de Leuchtenberg, o imperador solicitou que trouxessem ao Brasil europeus dispostos a trabalhar na lavoura em troca de terras. Com a crise atacando principalmente a Alemanha, muitos desses colonos vieram de lá. Distribuídos por regiões assim que chegaram ao Brasil, parte deles foram encaminhados a São Paulo, onde receberam terras na região de Santo Amaro.

Nessa leva vieram famílias como os Gottfried, os Kasper, os Klein, os Sellig e os Ulrich (olha aí, Rodone, tinha uns por aqui também), entre outros, que formavam um grupo de pouco mais de cem famílias.

O acerto era que, além das terras, receberiam assistência social, ferramentas e sementes – o que, obviamente, não aconteceu. A sorte é que qualquer camponês alemão parece ser mais organizado que qualquer governo brasileiro e, aos poucos, toda a região de Santo Amaro, Moema, Campo Belo e Brooklin passou a ser – a até hoje é – conhecida pela forte influência alemã.

É ali que vamos encontrar o Die Master Stube, restaurante alemão dentro do Kolpinghaus, clube alemão que oferece os esportes habituais e uma série de atividades culturais, como xadrez, filatelia e filmes e espetáculos teatrais falados em alemão.

Criado no início dos anos 80, o “Die Master” é comandado pela simpática Helga Mathi, filha de alemães que cuida pessoalmente de todos os detalhes da cozinha, incorporando ao cardápio um grande número de receitas herdadas de sua família.

A “Casa do Mestre” ocupa uma casa com muitos detalhes em madeira escura e simpáticas janelinhas com cortinas brancas. Lá dentro, várias mesas de madeira com toalhas brancas e vermelhas. E só. O resto cabe às delícias do cardápio.

Dizem que o principal propósito da comida alemã é manter o corpo aquecido no rígido inverno do país. Daí o alto grau calórico dos ingredientes. Brincadeira ou não, o fato é que a carne de porco parece ser o principal ingrediente da maioria dos pratos, que aqui costumam ser muito fartos.

Para muitos, petiscos como a linguiça branca, o bolinho de carne ou o salsichão aperitivo já costumam satisfazer os menos comilões, mas vale experimentar pratos como o Paprikaschnitzel (escalope de porco à milanesa ao molho páprica, acompanhado de nhoque alemão e bolinho de pão), o Pato à Berlim (pato ao forno com molho madeira, com batata gratinada e repolho roxo) ou o Leberkäse à cavalo (um bolo de carne suína prensada, acompanhado por dois ovos fritos, cebola e batata frita).

A maioria dos clientes, no entanto, devora sem dó o Schlachplatte, um gigantesco combinado que inclui Eisbein (joelho de porco), Kassler (costela de porco), chouriço, patê de fígado, salsichão, linguiça branca, salsicha Viena, batata cozida e chucrute.

Adolph Kolping, criador da Obra Kolping – movimento social, popular e católico a serviço do trabalhador e sua família, e que dá nome ao clube – dizia que “Deus dá a felicidade, mas o homem tem que percebê-la”. Ao que parece, conhecer o Die Master Stube já é um bom caminho para isso.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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