Por Pedro Schiavon

A Mooca é o bairro mais bairrista que existe e carrega no sotaque o cantado dos primeiros imigrantes italianos e a ginga de Adoniran. Quem mora lá, antes de ser paulistano, é mooquense. E nunca se muda. No máximo, troca de quarteirão.

Todo mooquense tem um segundo time (o primeiro é o Juventus) e se orgulha até mesmo do gol sofrido pelo moleque travesso, considerado o mais belo da carreira de Pelé.

Exageros à parte, é nesse ambiente que vamos encontrar o Elídio Bar, o mais tradicional do bairro e um daqueles lugarzinhos muito especiais, que nos surpreendem e nos encantam.

Quem dá nome ao bar é Elídio Raimondi, um simpático senhor nascido e criado numa das tantas tradicionais famílias italianas da região, de onde herdou três características facilmente observáveis: a vocação para o comércio, o talento para a cozinha e a paixão pelo futebol.

O bar surgiu de uma mercearia, criada no final dos anos 50 pelo pai do ‘seu’ Elídio no mesmo imóvel que está até hoje, na qual ele ajudou desde menino e acabou por se tornar um dos maiores inovadores dessa botecolândia em que São Paulo se transformou.

Foi nessa mercearia que ele resolveu criar seu próprio modo de cortar a mortadela, de preparar as alheiras, de misturar frutas nas batidas e, principalmente, de servir os petiscos: tudo à vontade, por quilo e no balcão, como ninguém fazia até então e como nos habituamos a ver hoje em tantos “botecos chiques” por aí.

A inovação caiu imediatamente nas graças da clientela e a casa da família Raimondi foi se tornando mais bar e menos mercearia até que, nos anos 70, aquele que já era conhecido na Mooca como “bar do Elídio” se tornou oficialmente o Elidio Bar.

De lá para cá, o tal balcão só fez se guarnecer ainda mais, oferecendo hoje mais de cem diferentes delícias da chamada “comida de botequim”, onde além da grande variedade de queijos e embutidos encontramos clássicos dessa “baixa gastronomia”, como roll-mops (sardinha curtida enrolada), morcilla, jiló frito, moela de frango e polvo ao vinagrete.

Mas as atrações do bar não param no balcão de acepipes. Há o chopp (Brahma, excelente, tirado de uma chopeira alemã), os coquetéis clássicos (destaque para o caju amigo) e, principalmente, as homenagens ao futebol.

Ocorre que Elídio é, desde pequenino, fanático por futebol. Palmeirense mas amante do futebol-arte de modo geral, ele ostenta um infinito acervo de fotos, publicações, souvenires, bolas, chuteiras, camisetas autografadas e outras relíquias.

Como as recordações já não cabiam nas forradas paredes do bar, a casa ganhou há alguns anos um segundo andar, que se transformou em uma espécie de “museu do futebol” particular, onde repousa uma coleção histórica sobre ídolos do esporte e onde cada objeto guarda uma história para contar.

E o que ainda não couber no acervo do bar, cabe nas lembranças do ‘seu’ Elídio. Grande conhecedor da história do esporte bretão, dono de um estilo narrativo todo especial, de uma simpatia ímpar e de uma memória de elefante, ele é, para muitos, a maior atração da casa.

“Faz tempo eu vinha procurando uma desculpa para não vir até aqui. Sabia que eu ia gostar. Alguma coisa em mim sabia. A briga agora vai ser para me tirarem daqui”. (Charles Bukowski)

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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