Por Pedro Schiavon

Ela acorda cedo todos os dias para trabalhar. Tipicamente paulistana, tenta distribuir seu tempo longe do serviço e do trânsito para poder curtir as coisas boas da vida. Ganha o suficiente para se permitir pequenos luxos: uns vinhos para tomar vendo a paisagem e pensando na vida, uns queijos para comer com os amigos, um lanche diferente com as crianças no final da tarde, um café da manhã especial com a família nos finais de semana. Para sua sorte, ela mora perto do Empório Santa Adelaide.

Normalmente, durante a semana, ela gosta de ficar em casa. Como para todo paulistano, seu trabalho é estressante. Por isso se programa para relaxar, ver filmes e curtir os filhos e o marido. Passa no Empório e compra alguns vinhos diferentes, mas dá preferência a franceses, italianos, australianos e sul-africanos. Leva sempre uns pães, sardela e alguns outros patês. Passa ainda pelas frutas secas e escolhe um pouco de damasco, amêndoas, tâmaras e pistaches.

De vez em quando pega as crianças na escola e toma um lanche com elas no próprio Empório antes de ir para casa. É uma forma de alongar o dia e curtir o movimento do bairro, cada vez mais agitado, mas ainda bastante residencial. Senta-se no deck curtindo o restinho de sol e o agito das ruas. Entre os sanduíches da casa, seus filhos gostam do “Heitor Penteado”, que leva salame, queijo estepe, sardela e alface, e do “Lemos Conde”, que tem mortadela, queijo brie e molho pesto de hortelã. Ela prefere o “Leão Coroado”, feito com copa, queijo gouda, queijo de cabra, rúcula e molho de mostarda com mel.

Uma vez ou outra, demonstrando toda sua “paulistanidade”, ao invés de sair ela convida os amigos para irem a sua casa. Nesse dia, ela e o marido passam no Santa Adelaide para comprar queijos e frios. A lista de frios é imensa: salame, copa, presunto cru, pastrami, salsichão com limão, mortadela com pistache e lombo. A de queijos é ainda maior: gorgonzola, roquefort, emmental, gruyere, massdam, de cabra, fundido, parmesão, mussarela de búfala, brie, camembert, gouda, estepe e provolone. Por causa do calor trocam os vinhos por uma grande variedade de cervejas. Levam umas “lagers” nacionais, uruguaias e tchecas, umas “ales” alemãs e americanas e umas “lambics” belgas para arrematar a noite.

Paulistana até o osso, ela adora feriados. Mas nem pensa em viajar, pois as estradas ficam cheias e a cidade vazia, perfeita para passeios tranquilos. Nas manhãs de domingo ela adora passear a pé pelo bairro com a família, observando as plantas e a grande quantidade de cachorros que alegram as ruas. É uma ótima ocasião para curtir o caprichado café da manhã do Empório Santa Adelaide, que vai até as duas da tarde e inclui diversos sucos, iogurtes, pãezinhos, frutas e coisas bem atípicas como queijos de cabra, geléia de camembert e pêssego em calda.

No pequeno e ensolarado deck ela conversa com o marido enquanto folheia revistas, observa as crianças brincando, curte o silêncio atípico da rua, tenta notar detalhes dos novos prédios que estão sendo erguidos e agradece intimamente a presença das gigantescas árvores que deixam o bairro tão agradável. Por mais uma pequena taxa o café da manhã inclui uma garrafinha de espumante. Por que não? Ela merece e está a fim de comemorar alguma coisa, nem que seja a simples constatação de que é bom viver em São Paulo.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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