Por Pedro Schiavon

Eu não sei se com você acontece o mesmo, mas de vez em quando me dá uma vontade louca de fugir da cidade para o meio do mato. O problema é que, mesmo a vontade sendo forte, a disposição em obedecer-lhe é sempre muito fraca.

Para que isso não se torne um dilema, recorro a alguns lugares escondidos em São Paulo onde é possível passar algumas horas se sentindo – realmente – no campo.

Não por acaso, um desses lugares chama-se Fazendinha Butantã, incrustado num dos lugares mais movimentados do mundo: a avenida Corifeu de Azevedo Marques, no miolo do Butantã.

Sabe aquela história de que para chegar ao Paraíso tem que passar pelo Purgatório? Pois é. Não que a Fazendinha seja lá um paraíso, mas para chegar a ela tem que passar pela Corifeu, não tem jeito. Mas aí você logo entra numa ruazinha discreta e, em menos de meio quarteirão, você já chega ao seu destino.

O discreto portão funciona como um portal daqueles de filme, transportando você para um universo paralelo. Do lado de lá não há qualquer luxo, mas sim uma chácara silenciosa, com uma casa reformada como um amplo e aberto galpão de fazenda, um quintal repleto de árvores e até um galinheiro. O final do terreno dá para os fundos do Instituto Butantã e para a USP, o que explica tamanha vegetação e tranquilidade.

No meio disso tudo, uma cozinha com um fogão à lenha que funciona à vista de todos e um restaurante bem simples, com mesas de plástico, toalhas de papel e um clima bem interiorano, cujos responsáveis são a Gê, uma senhora mineira com grande talento para o fogão (redundância?) e o Arthur, seu marido, ex-funcionário de uma multinacional e apaixonado por motocicletas.

Foi nas reuniões caseiras com amigos, colegas de trabalhos e parentes que Gê começou a servir sua feijoada. Como a coisa fez sucesso, tornou-se semanal e aos poucos foi aceitando encomendas e abrindo para outros convidados, enquanto Arthur se virava fazendo as vezes de garçom.

Durante um bom tempo, o único ajudante que tiveram no restaurante foi do filho Luiz Arthur Cané, lutador do MMA, também conhecido como “Banha”. Durante muito tempo ele alternou horas de trabalho no Fazendinha com outras de treinos de jiu-jitsu na academia de Ryan Gracie e de Muay Thai com a equipe Gibi Thai/Pamplona, dos lutadores Moisés Gibi e Eduardo Pamplona.

Mas não demorou para o sucesso se espalhar e a coisa crescer. As instalações tiveram que ser ampliadas. O Artur teve que deixar o emprego para doar mais tempo à nova empreitada, e Gê agora só supervisiona os funcionários de sua cozinha. Tudo com muito cuidado para não estragar o clima de “almoço de amigos no quintal de casa”.

A feijoada, servida às quartas e sábados, continua sendo a estrela da casa, mas há outras alternativas, com destaque para o nhoque de mandioca e a bela costelinha ao molho de ervas, servidos aos domingos. Completando o clima, um alegre grupo de chorinho alegra as tardes dos frequentadores.

Se a sua idéia é fugir da confusão metropolitana por apenas algumas horas, este é um bom lugar. Cuide apenas de definir bem seus horários e objetivos gastronômicos, pois o almoço acaba mais cedo que o normal da cidade e aí a casa fecha, reabrindo mais tarde como pizzaria. O que também pode ser interessante, afinal, quantas vezes você já comeu pizza na roça?

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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