Por Pedro Schiavon

Nas últimas décadas eu passei pela represa Billings centenas de vezes (talvez milhares), rumo a Santos ou a São Paulo, pela Anchieta ou pela Imigrantes. E sempre me encantei com a beleza da paisagem, com o pôr-do-sol refletido nas águas, com o barquinho que vai, a tardinha que cai etc, etc. Mas nunca parei.

Ou nunca havia parado, até outro dia, quando finalmente criei vergonha na cara e fui conhecer o Riacho Grande. E passei a me perguntar por quê esperei tanto!

A área ocupada atualmente pelo distrito do Riacho Grande é um paraíso cercado pela Mata Atlântica e foi, desde o século XVI, atravessada por caminhos que ligavam o planalto ao litoral, até ser parcialmente inundada para a construção da represa, concluída nos anos 40 e que hoje oferece um visual único, que lembra as paisagens amazônicas ou pantaneiras.

É por aí que começa a história do Flutuante Netuno, embarcação utilizada pela empresa Light para transporte de materiais e funcionários durante a construção da represa e que, a partir de 1976, tornou-se um dos restaurantes mais agradáveis de toda a região.

Criado pelos primos e sócios Márcio Conti e Mauro Teixeira, o pioneiro restaurante foi montado sobre as águas da represa em três galpões flutuantes que serviam de cozinha, copa e salão, e que posteriormente foram substituídos pelo Flutuante Netuno.

O barco de 25 metros de comprimento, 6 metros de altura e 200 toneladas abriga um grande salão interno e um deck em sua cobertura. E fica realmente na água. Para chegar até ele é preciso atravessar uma pequena e balançante ponte.

Pode-se dizer que o salão tem mais cara de restaurante, com várias mesas bem arrumadas e cercado de janelas, enquanto o deck leva mais jeito de boteco, com mesinhas de plástico e apenas uma cerca separando-nos da paisagem.

A especialidade, claro, é peixe. Mas que não vêm dali, apesar de ser comum na região a pesca de tilápias, lambaris, carpas e traíras. Os peixes do Netuno vêm de criadouros (os de água doce) e de Santa Catarina (os de água salgada).

As sensações da casa, isto é, do barco, são o filet de tilápia – que não tem espinho – e o de Panga, ou Pangassu – peixe vietnamita que, pelo visto, começa a cair no gosto brasileiro – além da sua tábua de peixes, composta por porções de pescada, cubos de cação, tiras de badejo e iscas de tilápia, vencedora da última edição do Festival Gastronômico de São Bernardo. E há ainda a casquinha de siri, a manjuba, o lambari, o porquinho, o camarão, a lula, o marisco, o salmão, a paella…

A tranquila passagem das horas faz com que o cenário vá mudando e o público também. Frequentado principalmente por famílias, o barco passa a receber também as turmas de amigos que chegam para os finais de tarde e os casaizinhos, que vêm à noite para ouvir MPB (que toca nas noites de sexta e sábado e no domingo durante o dia) e para apreciar o romântico visual noturno da represa.

Uma ótima opção para um programa completo é a seguinte: acorde cedo e vá para o Riacho Grande. Vá passear no antigo Caminho do Mar, cujo parque fica alguns quilômetros depois da chamada “Rota do Peixe”, onde está o Netuno. Ande pelo menos até a Casa de Pedra, construída em 1922 em comemoração à assunção ao trono de D. Pedro II, e que por isso é também chamada de Rancho da Maioridade. Volte e vá ao Flutuante Netuno.

Escolha uma mesinha no deck, peça alguns petiscos, algumas bebidas e prepare-se para esquecer da vida, curtindo a magnífica paisagem e todo o sossego que só um restaurante sobre as águas pode oferecer.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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Estrada Velha do Mar, Km 35,5 - Vila Jurubatuba, São Bernardo do Campo

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-23.803889, -46.492837

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