Por Karina Del Monte Schiavon

Às vezes, dá um certo acanhamento em contar as coisas que acontecem na sua região, mas não por serem coisas ruins. Pelo contrário; começa a ficar chato contar sobre tantos lugares legais e tantas histórias inusitadas que se descobre a cada volta pelas ruas, a ponto de dar vontade de mudar o nome do bairro, de vez em quando, para evitar que o leitor pense ser exibicionismo ou provocação, e não é. Só que ainda não se descobriu o que fazer quanto a isso, então…

…nos resta contar sobre a arte de uma certa fulana – uma fulana com nome e sobrenome, por sinal, porém desconhecida até que o nome de seu filho, Mateus Grou, passasse a identificar uma das mais de 130 mil ruas da metrópole…

Era tudo história – e uma questão de nome

Mauro Darezzo Filho, jovem administrador de empresas, cuja família tem sólida experiência de negócios na tal região (que muitos de vocês certamente já descobriram qual é), precisava de um nome original e ao mesmo tempo sonoro, marcante e exótico para dar à loja que inauguraria em meados de 2012, adivinhem em que lugar? Na Rua Mateus Grou!

Teve a ideia de pesquisar: quem seria esse Sr. Grou e o que haveria de interessante em sua vida a ponto de ser lembrado para sempre numa placa de rua? Procurando respostas, Mauro ampliou o conhecimento sobre essa área em que transitavam indígenas, jesuítas e bandeirantes – esses últimos, determinados a expulsar os jesuítas, que, por sua vez, eram contrários à escravização indígena…

Descobriu que os relatos sobre nascimento da cidade, a criação do primeiro bairro e a família Grou eram entrelaçados, por isso batizou sua loja de Fulana Guaçú: uma indígena que se casou com Domingos Luís Grou, um dos primeiros bandeirantes do Brasil, tornando-se mãe do também bandeirante Mateus Grou. Desde a origem, contestação e rebeldia no primeiro bairro de São Paulo, narram os historiadores!

Quando vocês visitarem a Fulana Guaçú, vão entender mais ainda o quanto o nome tem a ver com a proposta dessa loja de artigos de decoração que se destaca pelo colorido das peças, muitas delas importadas e tantas outras fabricadas por Mauro e sua equipe. São inúmeros artigos de estilo vintage, tão perfeitos que provocam saudades em quem viveu em décadas passadas, e para quem tem menos décadas no RG, uma certa vontade de recuperar o romantismo ou de ter experimentado a simplicidade de outro estilo de vida.

Na entrada, caixas de Crush e Coca-Cola, que no passado, transportavam as garrafas de 290 ml de refrigerantes, foram transformadas em caixas organizadoras; sobre uma bancada, fotografias impressas em folhas de poliestireno converteram-se em porta-chaves com desenhos de azulejos coloniais.

Prateleiras até o teto, absolutamente preenchidas: na mais alta, almofadas com grafismos ou desenhos que fazem referência a antigos brinquedos eletrônicos – para enfeite ou confortável assento, o fato é que nos fazem recordar a gritaria no domingo à noite entre primos jogando Genius na sala enquanto seus pais jogavam a interminável saideira de Canastra. Ainda lá em cima, jogos de malas que remontam à década de 60, mas que, aos pés da cama, no verão, guardariam perfeitamente as pesadas malhas usadas no inverno. Abaixo, garrafas de vidro no modelo com que se entregava leite; latas decorativas da Aveia Quaker, do Leite Instantâneo Nestlé, ou mesmo do Motor Oil X100 da Shell – réplicas de latas antigas, iguais àquelas em que muitos avós guardavam parafusos, pregos, buchas e ferramentas.

E que tal uma luminária que imite a embalagem da paçoquinha Amor Sing´s  – sim, aquela mesma, de singelo logotipo de fundo amarelo e um coração vermelho ao centro, vendida em todas as lanchonetes de escolas por onde se tenha passado?

Não sabe mais como dar personalidade a um ambiente? Experimente uma cabeça de alce estilizada cujos chifres imitam cactos, ou descubra no andar superior os objetos usados que estão à venda: um baleiro que imediatamente o fará cantarolar o jingle da Bala de Leite Kid´s (“Roda, roda, roda baleiro, atenção! Quando o baleiro parar, põe a mão…”) e que vai deixar a cozinha integrada com ar retro (aliás, se ficou com o jingle na cabeça, um consolo: também estamos cantarolando por aqui há horas…) ; um par branco de patins de cano, um toca-discos ou um telefone de discar, para dar estilo ao quarto ou sala…

Coisas de colecionador

Decoração sempre esteve nos negócios da família Darezzo, tanto que é possível chegar à loja e fábrica de móveis rústicos do Sr. Mauro (Pai) por dentro da Fulana Guaçú. Foi fácil notar que

o dom para trabalhos manuais sempre esteve presente em sua carga genética, mas Mauro estava decidido a trabalhar com aquilo que tivesse prazer em realizar, tanto que resolveu elaborar artigos com originalidade tendo como base objetos que eram colecionados em casa por ele.

A relação com a cidade de São Paulo é bastante presente nos artigos comercializados, seja remontando-se a história a partir dos antigos rótulos impressos sobre as latas, seja pelas peças legitimamente antigas cujo desgaste revela terem feito parte de uma cidade sempre faminta pela inovação.

Aliás, inovação é característica marcante dessa loja, localizada numa região inovadora por natureza, que tem rebeldia em suas origens, como escrevemos logo no começo.

Descobrimos uma loja de artigos de decoração que mereceu ser descrita assim: um espaço capaz de aguçar todos os sentidos daqueles que adoram fazer um roteiro pelas subidas e descidas de Pinheiros e todos os dias descobrir um lugarzinho diferente, moderno e que ao mesmo tempo, nos transporte ao passado; um lugarzinho para grandes lembranças, mesmo que seja um imã de geladeira ou um porta-chaves, coisas tão especiais e que falam tanto do que somos lá dentro, como a Fulana Guaçú.

 

Karina Del Monte Schiavon é editora do Lugarzinho

Endereço & Contato

Endereço:

R. Mateus Grou, 645

GPS:

-23.560903, -46.686858

Telefone:
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