Por Pedro Schiavon

Bom mesmo é apoiar o cotovelo no balcão, tomar alguma coisa e comer uns petiscos bem diferentes. O mundo todo sabe disso. Por isso os brasileiros vão aos botecos, os europeus aos pubs e os japoneses aos isakayas.

Os izakayas são o que podemos chamar de botequim japonês, especializados em sakê, onde as pessoas vão para relaxar, beber e petiscar depois do trabalho, que costumam ter um cardápio um pouco mais interessante que o de um bar comum, mas não tanto para se considerar um restaurante.

Na Liberdade, eles estão por todo lado, mas costumam passar despercebidos por serem sempre muito pequenos e discretos. Um dos mais arrumadinhos – e possivelmente o mais atraente e interessante – é o Izakaya Issa.

O Izakaya Issa fica numa rua discreta, com a entrada mais discreta ainda, marcada por algumas bandeiras e uma única lanterna. O pequeno e bonito espaço interno consiste em um longo balcão com 12 disputadíssimos bancos e algumas mesinhas, dessas onde se senta descalço sobre o tatame.

A casa é comandada por Margarida Haraguchi e uma equipe só de mulheres, que cuidam com agilidade e competência de detalhes aparentemente simples, mas indispensáveis para quem busca uma experiência bem japonesa mesmo, com toda aquela conhecida cerimônia e longe dos abrasileirados rodízios de sushis, sashimis e temakis.

Por se tratar de um lugar especializado em sakês (o clássico fermentado de arroz) e em shochus (um aguardente destilado de batata ou cereais), não vale perder tempo com outro tipo de bebida, embora as boas cervejas do local possam ajudar a refrescar a alma no final da expedição.

As bebidas ali são levadas a sério e caprichosamente servidas em belos copinhos de vidro, bem geladas ou, para quem preferir, quentes. São mais de 40 garrafas, que não constam do cardápio, mas ficam expostas na prateleira de vidro, bem de frente para todos, hipnotizando quem está no balcão.

Nem todas as bebidas são vendidas em dose, mas vale provar, por exemplo, o sakê Sayuri – não filtrado, suave e meio viscoso – ou os shochus de batata-doce ou de arroz envelhecido.

Se não resistir a algum que seja vendido em garrafa, não se preocupe, pois poderá deixá-la guardada lá mesmo, com seu nome, para a próxima visita.

Mas mesmo com tantos sakês e shochus, é da cozinha que vem as melhores atrações do lugar. É praticamente obrigatório começar pelo Otoshi, uma combinação de quatro entradinhas que variam diariamente, mas que traz coisas como broto de bambu, acelga chinesa com carne, folhas de bardana, folhas de mostarda japonesa, nabo desidratado e berinjela com shoyu e sakê.

Daí é partir para as porções maiores e mais tentadoras. São imperdíveis os Takoyashi – bolinhos de polvo com massa de cará, cebolinha e gengibre; o Onigiri – um bolinho de arroz recheado com folha de alga, ameixa ou salmão; o Kakuni – dois pedaços de costelinha suína cozidos em saquê, shoyu e mirin e acompanhados de mostarda japonesa; e o estranho mas delicioso Tyawanmushi – um pudim de ovos salgados com recheio de camarão, shitake e frango.

Anote aí: “i” quer dizer “sentar”, e “sakaya” é “loja de sakê”. Os izakayas são mais que bares, são algo trivial e informal, como lojas de sakê com lugar para sentar, comer e beber ali mesmo. Eles surgiram por volta do século XVIII e se multiplicaram rapidamente.

Hoje, no Japão, boa parte desses bares adotam os sistemas “Nomihodai” e “Tabehodai”, que significam, respectivamente, “tudo que você puder beber” e “tudo que você puder comer”. Por sorte, essa moda não chegou até aqui. Ainda.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho.

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Rua Barão de Iguape, 89

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-23.558320, -46.636068

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