Por Pedro Schiavon

Os golfinhos, aves marinhas e, às vezes, até baleias que habitualmente se vê no percurso de aproximadamente 40 km entre a praia e a Laje de Santos são só um aperitivo do que se vê por lá. Verdadeiro santuário ecológico, o local é um dos mais ricos e belos de toda a costa brasileira e, seguramente, o melhor ponto de mergulho do estado de São Paulo.

Para quem vê do alto ou mesmo dos barcos, a Laje é uma grande ilha toda de pedra, com 550 metros de comprimento, 185 de largura e 33 de altura, escolhida por aves como gaivotas, atobás e trinta-réis-real nas épocas de reprodução.

Mas é ao redor dela, e debaixo d’água, onde encontramos as exuberantes espécies que atraem inúmeros mergulhadores e que motivaram a criação, em 1993, do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos, com 5 mil hectares de área protegida.

A fauna e a flora do local impressionam tanto pela quantidade quanto pelo tamanho das plantas e animais. Vale desde observar o fundo do mar – repleto de corais, esponjas, estrelas-do-mar, crustáceos e moluscos – até, claro, curtir tartarugas, polvos e grandes peixes como a garoupa, o mero, o peixe-cirurgião e a barracuda, ilustres frequentadores da região.

Esta época do ano, que engloba o outono e o inverno, costuma trazer ainda a presença de algumas espécies trazidas pelas termoclinas (as geladíssimas correntes marinhas vindas da Antártida), como pinguins e pequenos mamíferos desgarrados, além das grandes “estrelas” dos visitantes locais: as arraias jamantas, que, diz a lenda, chegam a atingir 7 metros de comprimento.

Apesar de o verão deixar a temperatura da água mais agradável (em torno dos 25 graus), o outono e o inverno trazem uma grande vantagem: a visibilidade, que com a diminuição das chuvas pode chegar a uns 40 metros de distância.

Os principais pontos de visitação dos mergulhadores são:

Portinho – É o local mais abrigado, ideal para mergulhadores iniciantes. Com cerca de 20 metros de profundidade, é o local onde estão os cabos de atracação da ilha, já que é proibido ancorar em toda a região, para não danificar os corais. Ali podem ser observados alguns destroços do pesqueiro São Judas, que colidiu ali nos anos 80, além de moréias, garoupas, corais, tartarugas e muitas tocas com seus habitantes.

Piscinas – Na ponta oeste da ilha, parece uma enorme piscina com profundidade que varia de 6 a 35 metros. Costuma ter muitos cardumes e tartarugas.

Boca da Baleia – É uma bela formação rochosa com muita vida em volta, incluindo peixes de grande porte e enormes cardumes. No entanto, exige condições ideais pois o refluxo pode ser muito violento.

Paredão (Lado de Fora) – É a face sul da ilha, rente a um paredão que desce até cerca de 35 metros. É para mergulhadores avançados, com boa experiência, que tentam a sorte para ver grandes peixes de passagem. O local apresenta uma fenda de 16 metros de profundidade que penetra no interior da rocha, onde muitos peixes se abrigam.

Moréia – Uma das principais atrações do local, é um barco pesqueiro propositalmente naufragado ali em 1995 para atrair fauna marinha e turismo. Nele pode-se observar muios crustáceos, anêmonas e pequenos peixes. Porém, como seu estado atual é muito instável, não é aconselhável a entrada em seus porões.

Calhaus – É uma formação rochosa a 2km da Laje. Possui um túnel em forma de “U” que exige boa experiência dos mergulhadores, principalmente no equilíbrio hidrostático, devido à grande oscilação de profundidade. É comum encontrar lagostas, tartarugas e grandes cardumes de peixes.

Parcel das Âncoras – É uma formação rochosa que parte do lado oeste de Laje e recebe esse nome pela quantidade de âncoras de pesqueiros perdidas entre suas rochas. O local, caracterizado pelas anêmonas, garoupas e grandes peixes de passagem, exige experiência pela presença de correntes marinhas e por não contar com o abrigo da Laje.

Se ainda não ficou claro pelas descrições acima, fica aqui um alerta: para conhecer esse paraíso, é necessário um certificado de mergulhador, adquirido através de cursos em diversas escolas especializadas.

Esses cursos costumam ter um treinamento de cerca de 20 horas, incluindo aulas teóricas e práticas. O aluno deve ter mais de 10 anos de idade e irá aprender a respirar, a se movimentar debaixo d’água e a manipular os equipamentos. Ainda assim, é recomendável ganhar experiência em mergulhos mais “seguros”, como em Parati ou Ubatuba, antes de partir para o mar aberto.

Os mergulhadores interessados em visitar a Laje de Santos podem consultar suas próprias escolas ou procurar empresas cadastradas que fazem os passeios a partir de Santos ou de São Vicente.

Vale lembrar que se trata de um lugar de preservação marinha, onde é proibido capturar ou coletar qualquer organismo, causar poluição ou danos físicos, ou mesmo desembarcar na Laje sem prévia autorização da administração do Parque.

Superadas estas etapas, não deixe de levar, além do equipamento, roupa de mergulho (principalmente no inverno, devido à temperatura da água) e, se possível, câmera fotográfica. Como a viagem (que já valeria por si só) dura cerca de 1 hora e meia em mar aberto, vale a pena levar um agasalho, lanche, água e algum remédio para eventuais enjôos.

Existe ali um mundo paralelo que quase ninguém conhece – lindo, calmo, harmônico e intacto – no qual cada visita o deixará ansioso pela próxima. Uma certeza você pode ter: o passeio é único, acessível e inesquecível.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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-24.294859, -46.177023

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