Por Pedro Schiavon

Pode existir alguma coisa mais esquisita que um fast-food indiano na rua Augusta? E mesmo que as intenções de nosso blog sempre sejam a de fugir de tudo que lembre um fast-food, eu tinha que falar de lá. Por quê? Simples: porque é bom.

Na verdade, de fast-food o Madhu só tem a aparência e o esquema de trabalho, além de um pouco da rapidez. Como nas lanchonetes, as opções são oferecidas em 12 opções de combos que incluem o prato principal e os acompanhamentos que você escolhe em um cardápio muito detalhado e pacientemente explicado pela simpática Joselane. Metade deles leva frango ou carne e a outra metade é vegetariana. Também como nas lanchonetes, paga-se antes, busca-se o prato em bandejas de plástico e o leva para uma mesinha simples. E as semelhanças terminam aí.

O Madhu, cujo nome indiano significa Néctar, é uma invenção de seis sócios que, saudosos da culinária do sul da Índia, resolveram montar, em São Paulo, um restaurante especializado nos produtos daquela região que fosse discreto, prático, bom e barato.

Ao contrário da maioria dos restaurantes indianos na cidade, que investem alto na decoração ostensiva, no serviço cheio de pomposos clichês e, consequentemente, em preços altíssimos e injustificáveis, o Madhu se preocupa mesmo é com a comida.

Da cozinha comandada por Gopal Pandaram saem pratos simples, mas muito bem elaborados, como o beef madhu – tirinhas de carne temperadas com cebola, garam masala (mix de especiarias), açafrão e coentro em pó, acompanhados de mezhukupuratti (cubos de batata cozida e temperada), snacks cutlet (um tipo de croquete de carne com hortelã) ou salada thoram, servida quente, à base de repolho e leite de coco – ou o chicken biryani, porção de arroz com especiarias, pedaços de frango e castanhas-de-caju, mais uma de duas opções de guarnição: snack vada (composto de quatro bolinhos de lentilha, fritos e bem sequinhos, que lembram bastante o faláfel) ou a salada raita, que mescla tomate, cebola, hortelã e iogurte – além de muitas opções vegetarianas, como os Dosas – um grande crepe recheado com batata condimentada ou com queijo.

Na parte líquida, além de refrigerantes e cervejas, é possível provar bebidas típicas como os lassis gelados (feitos com iogurtes, frutas e condimentos), chai (chá preto com leite e condimentos). Na sobremesa, mais sabores exóticos, como o Gulab Jamun – bolinhas de trigo e leite fritas e depois assadas em calda de rapadura. Tudo feito artesanalmente, simples, saboroso e saudável – e, creia, aprender os nomes não é tão difícil assim.

O site da casa ensina que a culinária indiana ensina que o ato de comer deve ser um processo consciente que proporcione a integração do ser como um todo. Na Índia se come com as mãos, pois na medicina Ayurvédica a digestão não começa na boca, mas nas pontas dos dedos, quando a energia sutil dos alimentos entra em harmonia com a nossa própria energia.

Para os indianos, sabores equilibrados geram sentimentos equilibrados, o que explica o uso de uma infinidade de especiarias (aquelas que os portugueses cruzavam o mundo para ir buscar, quando acertavam o caminho), que têm também a função de facilitar a digestão e combater bactérias e outros males.

E o grande barato de viver em São Paulo é poder observar coisas assim, vendo todas as etnias, todas as religiões e todas as exóticas tribos da Augusta juntas num pedacinho de mundo, curtindo um cinema de arte, fazendo compras tanto nas galerias quanto nos camelôs, devorando as coxinhas do boteco da esquina e – por que não? – provando uma ótima comida indiana em um fast-food. Globalização é isso aí.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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