Por Pedro Schiavon

Uma piada que rola por aí e quase todo mundo conhece diz que, no inferno, todos os cozinheiros são ingleses. Perdoai-os, Senhor. Eles não conhecem Ryk Preen.

Ryk nasceu em Bristol, sudoeste da Inglaterra e com o avô aprendeu a amar o mais famoso esporte bretão com o Manchester City, rival dos diabos vermelhos do United, mais tarde trocado pelo Tottenham, rival mortal dos outros vermelhos – os londrinos do Arsenal.

Entre uma ou outra diabrura da infância, aprendeu com a avó a cozinhar aos 6 anos de idade. Tal influência somada a uma ascendência irlandesa, galesa e francesa resultou em seu amor a “The Old Traditional Food” – a culinária passada de geração a geração – e desde muito cedo dedicou sua vida à gastronomia, tendo trabalhado em açougues, pubs, hotéis e refinados restaurantes.

Aos 21 anos mudou-se para o País de Gales onde se dedicou a carne de cordeiro e depois viveu por oito anos na Irlanda (um dos lugares do mundo que, com a ajuda dos céus, ainda hei de conhecer).

Um motivo angelical chamado Ana Cláudia Laforga o trouxe a São Paulo, terra onde céu e inferno se misturam numa confusão só e os caldeirões se espalham pela cidade sob as influências culinárias de todos os cantos do mundo, menos da Inglaterra, até então.

Há alguns anos, Rik e Ana, que havia ido encontrá-lo na Irlanda, desembarcaram por aqui com o projeto pronto para montarem a Pie in the Sky, uma pequena casa de tortas ao estilo inglês, recheadas com carne, rim, cerveja, cordeiro, queijo brie e outros mais.

O sucesso das tortas celestiais de Mr. Preen foi tão rápido que o empreendimento teve que mudar para um ambiente maior. Era a oportunidade também de inserir novos pratos no cardápio e ambientar melhor a casa.

Assim nasceu, pouco depois, o The Bristol Tavern, com mais jeitão de bar que de restaurante, numa deliciosa esquina de Perdizes, com diversas mesinhas de madeira ajeitadas com toalhas brancas e vermelhas formando o brasão inglês.

As tortas da Pie in the Sky estavam todas lá, em companhia de uma lista de novas tentações como bolos de carne, peixes e batata, muita batata. Destaque para o “fish and chips”, um grande filé de peixe empanado com batatas fritas e para as lingüiças caseiras, de produção própria, suínas, ovinas e bovinas, acompanhadas, claro, de purê de batata, como o diabo gosta.

E com tudo isso mudou-se novamente para a rua Tucuna, onde está agora, novamente como a “Torta no Céu”.

O jornalista Luiz Américo Camargo define Ryk Preen como “um mestre-cuca pré-Gordam Ramsay, pré Jamie Oliver”. Isso significa que sua inspiração nasce da comida dos pubs, das receitas caseiras, da dieta dos trabalhadores britânicos e de toda uma memória afetiva que traz consigo da infância. Significa também que os pratos, ainda que muito bem elaborados, não são para fracotes, podendo levar do céu ao inferno os estômagos mais delicados.

Suas paixões na vida, além da cozinha e de sua recém-ampliada família, são o rock, especialmente o punk rock (quem conhecer a casa pode comprovar isso rapidamente), tatuagens (o que também é fácil de notar), motos e carros antigos.

Assim, enquanto estamos por aqui, aproveite para apreciar a tranquilidade do local, curtir o velho e bom punk inglês, saborear as ótimas opções de cerveja que a casa oferece e conhecer sabores que você não encontrará em nenhum outro lugar da cidade. O Pie in the Sky fica ali em Perdizes, mas bem lá no alto do bairro. Na terra, mas bem perto do céu.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

 

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-23.531010, -46.682849

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