Por Pedro Schiavon

“Se um dia meu coração for consultado para saber se andou errado, será difícil negar”.

Não, meu caro Paulinho da Viola, não é em homenagem à Majestade do Samba. Trata-se, sim, de um boteco bem paulistano, em um dos bairros mais típicos dessa terra dos temporais (ex-garoa). Mas acho que você iria apreciar.

Como aí em Madureira, aqui não falta tradição. O bar foi fundado em 1969 e desde então caiu nas graças da boemia da cidade, que o toma todas as noites, graças à sua simplicidade, ao bom atendimento e, claro, à cerveja sempre gelada e à comida boa.

Comida ótima, aliás, que tem origem baiana, com muita carne de sol, jabá desfiado, purê de abóbora, feijão de corda, baião de dois, dendê e pimenta. Quem sabe é até uma influência desconhecida das “Baianinhas de Oswaldo Cruz”, um dos tantos blocos que formou sua escola lá pela década de 20.

Há também muitos outros petiscos igualmente bons, como a casquinha de siri (uma das mais famosas da cidade), o frango à passarinho que a Piera nunca deixa passar, o Portadella (uma empanada de mortadela com pistache que já ganhou até prêmios por aí) e o “Vai-Vai” (com carne seca, purê de abóbora e um exclusivo molho de pimenta), homenagem à escola de samba quase vizinha.

Pois é. Também aqui não falta o samba, já que o bar fica bem pertinho da Vai-Vai que, como a sua Portela, é a maior campeã da cidade. E também por que de vez em quando a música toma conta do bar, numa empolgação que você precisa ver. Dá até para ouvir de longe um “Portela, Portela… o samba trazendo alvorada, meu coração conquistou…”

“Porém – ai, porém – há um caso diferente, que marcou um breve tempo”: o famoso e caudaloso azul e branco daí não está aqui. Tudo aqui é em cores quentes, com paredes amarelas e ocres e toldos vermelhos. É assim há 42 anos. desde a inauguração, e assim ficará, como manda a tradição baiana.

Tampouco sua águia – mais famoso abre-alas do país, se faz presente. O espaço da casa é todo preenchido pelas garrafas, fitas, palhas, cordas e cabaças penduradas por todos os cantos. E tão preenchido que não sobra espaço para mais nada.

Em vista dessa falta de espaço e como se a comida baiana não fosse suficiente para botarmos fogo pelas ventas, as donas da casa deram um jeito e anexaram mais um espaço à casa, onde montaram uma senhora cachaçaria.

Ela fica num espaço um pouco mais aconchegante e apresenta uma carta com mais de 300 tipos da bebida, onde fazem sucesso algumas opções mais docinhas, como a Kariri com mel (da Bahia, claro) e opções um pouco mais comportadas, como as caipirinhas e a batida de coco queimado.

Aí é preciso ter cuidado ou então saímos com a música trocada. E “chama por Cartola, chama por Candeia, chama Paulo da Portela, chama Ventura João da Gente e Claudionor, chama por mano Heitor, chama Ismael, Noel e Sinhô, chama Pixinguinha, chama”.

Mas como você mesmo diz, é bom “para aliviar o peso das palavras, que ninguém é de pedra”.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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