Por Pedro Schiavon

A Prainha Branca é, na verdade, uma praiona de 1350 metros de comprimento bem no final do Guarujá, na região conhecida como Rabo do Dragão. E para um lugar ao qual só se vai por trilha ela chega a ser acessível demais, estruturada demais e, às vezes, cheia demais. Mas isso também tem seu lado bom…

Pode-se ir por barco, mas o acesso a pé é bem fácil. O início da trilha fica bem ao lado da balsa que vai do Guarujá para Bertioga. Para quem vem do litoral norte, basta atravessar o canal; para quem vem do sul, é só seguir a estrada até o final e parar o carro por ali mesmo.

A trilha é um pouco puxada, tendo de subir o morro inteiro para descer do outro lado, mas é bem agradável. Se por um lado ela está quase toda pavimentada (o que quebra um pouco o encanto, mas facilita bem a escalada), por outro ela atravessa uma mata bem preservada, onde facilmente se vê maritacas, papagaios, lagartos e até esquilos e cotias.

Leva-se uma meia-hora para se chegar à pequena vila que precede a areia, com alguns campings, pousadas e botecos – tudo extremamente rústico e simples, bem ao estilo bicho-grilesco que predomina na praia. Trata-se de uma antiga vila de pescadores, que mantém até hoje festas tradicionais como o reizado e as congadas, contrastando ao extremo com as modernices, carrões e mansões das praias vizinhas.

E finalmente, a praia! De areias brancas e limpas como manda o nome, ela é ritualmente preservada por seus frequentadores e poucos moradores. Está incrustada na reserva ambiental da Serra do Guararu e também é tombada, o que lhe garante certa distância da ganância imobiliária.

Por ser bastante extensa, a faixa de areia é ótima para caminhar ou mesmo para relaxar, pois mesmo na temporada ela é tranquila. Vale muito ficar por ali observando, sentindo a brisa, saudando a natureza e pensando na vida.

O mar é um caso à parte. Bem claro, limpo e agitado, faz a alegria dos surfistas, inclusive pela baixa concorrência pelas ondas. É como se fosse um outro Guarujá. Para quem assistiu ao desenho “Tá Dando Onda”, é como se Pitangueiras ou Pernambuco fossem a praia do campeonato e a Prainha Branca fosse o outro lado da ilha, onde Cadu e Big Z surfam e curtem as ondas.

É sempre bom lembrar que um mar bom para o surf exige cautela para os banhistas na hora do mergulho. No entanto, o fato de não ser uma praia de tombo ajuda bem, possibilitando que se chegue às ondas com a água ainda na altura da cintura ou do peito.

No mais, para quem pretende ficar por lá, é até bom aproveitar a temporada, quando tem mais movimento e a prainha torna-se também um lugar para curtir a noite. Para quem tiver o astral e o pique, é a hora de curtir as festas, os shows de reggae nos bares e os tantos luaus improvisados que rolam quase todas as noites.

Dicas:

– Acampar na praia parece ser uma questão insolúvel para a administração local. Conforme o dia que você for, será permitido ou proibido. A regra muda o tempo todo. No entanto, por questões principalmente de segurança, é cada dia mais recomendável procurar um camping.

– Na maré baixa, é fácil chegar até mesmo a pé à ilha que fica em frente à praia. Mas é preciso ficar atento à subida da maré, que pode tornar a volta impraticável.

– Uma trilha no canto da praia leva a outras duas praias, ainda mais desertas e que valem a visita. A primeira, a 300 metros, é a praia Preta. A segunda, a 800 metros de caminhada, é a do Camburizinho.

– Para os mais aventureiros, vale levar equipamento de rapel para tentar descer a Pedra do Grito, um paredão de 90 graus cercado de vegetação e que apresenta um belíssimo visual, de frente para o mar aberto.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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Endereço:

Prainha Branca, Guarujá

GPS:

-23.865998, -46.135358

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