Por Pedro Schiavon

Tudo que eu queria era um lugar tranquilo, com alma de boteco antigo. Que fosse bom como os melhores bares da cidade, com bom atendimento, chopp de primeira, ótimas porções e um balcão de acepipes de preferência com vários tipos de queijo. Que fosse bonito mas não fosse grande e que ficasse num bairro gostoso, longe da badalação. É pedir demais?

Não, não é. O Tiro Liro é assim. Escondido entre as ladeiras e precipícios da Pompeia, a casa é como aquelas joias raras que parecem ter sido feitas por encomenda.

O bar é uma criação dos irmãos Antonio Carlos (mais conhecido como Toninho) e Sérgio Bastos, que não apenas estão no ramo há mais de 40 anos, como são responsáveis pela paternidade de outras duas casas de grande credibilidade: o Dona Felicidade e o Pé Pra Fora.

A linhagem é antiga. Sérgio e Toninho são filhos de dona Felicidade e do Sr. Manoel Bastos que, nos anos 70, montaram uma mercearia na Pompéia que, ainda em suas mãos, viria a se tornar o conhecidíssimo Pé Pra Fora.

Com a falta do Sr. Manoel, o “Pé”, que ficou famoso pelo bolinho de bacalhau feito por dona Felicidade, foi vendido nos anos 90, quando a família montou, na Lapa, a casa cujo nome homenageia sua matriarca.

A nova casa, mais com jeitão de restaurante, rapidamente também adquiriu sua fama, principalmente devido aos pratos portugueses à base de bacalhau e alheiras, além do famoso pudim “desmaiado”, mais uma criação de Felicidade Bastos.

Veio então, em 2002, o Tiro Liro, inspirado nos clássicos botequins cariocas, em sua maioria também descendentes de famílias portuguesas.

O novo bar foi montado em um casarão de esquina onde funcionava uma mercearia e que há anos vinha sendo cortejado pelos dois irmãos. Como diz a letra do “Tiro Liro”, “juntaram-se os dois à esquina, a tocar a concertina, a dançar do sólido”.

Assim que comprada, a casa recebeu uma reforma quase completa, mas que não a descaracterizou. Ganhou enormes janelas e belos armários, mas manteve o piso original, que está lá há quase 60 anos.

No nostálgico salão do Tiro Liro, o carro chefe é o chopp de colarinho cremoso, embora o seu “clube do whisky” tenha uma clientela fiel. Na parte das comidinhas, as especialidades portuguesas como as alheiras se destacam, mas há ótimas opções como a tábua de picanha, as linguiças recheadas, o pastel de carne com gorgonzola e até ostras.

Há também um belo balcão de petiscos com queijos e embutidos de primeira qualidade, vendidos a peso e que costumam agradar mais aos menos famintos.

E é claro que as especialidades de Felicidade Bastos – o bolinho de bacalhau criado no Pé Pra Fora e o “desmaiado” do Dona Felicidade – estão lá, acompanhados ainda de uma deliciosa torta cujas fatias só são oferecidas às sextas-feiras.

Mas muito mais do que a boa comida e a bebida correta, o que conta no Tiro Liro é o lugar em si.

Tranquilão, com a cara do bairro, o bar faz com que o bate-papo com os garçons e o clima de camaradagem entre os fregueses seja tão natural e espontâneo que todo mundo que vai, volta, pois já é considerado por todos como mais um membro da turma.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

Endereço & Contato

Endereço:

Rua Cotoxó 1185

GPS:

-23.536886, -46.688162

Telefone:
E-mail:

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Web:

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Horário de abertura

Segunda-feira

Das 16h à 1h

Terça-Feira

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Quarta-feira

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Domingo

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