Por Pedro Schiavon

Se lembra da fogueira? Se lembra dos balões? Se lembra dos luares dos sertões? A roupa no varal, feriado nacional, e as estrelas salpicadas nas canções… Se lembra quando toda modinha falava de amor? Então é provável que você se lembre também das bebidas da sua infância e de quanto era gostoso juntar alguns trocados para ir até algum botequim qualquer e tomar aquele refrigerante bem simples, barato e, de certa forma tradicional e inesquecível.

Você pode ser de um tempo em que as grandes marcas ainda não tinham dominado completamente o mercado. Pode ser de outro, quando elas já estavam por aí, mas as pequenas marcas ainda guardavam seu espaço nas vendinhas e nos botecos. Ou pode ainda já ter crescido nesse mundo globalizado, repetitivo e chato, mas ainda assim você se lembra daquela garrafinha diferente com um líquido saboroso e adocicado que você tomou em algum lugar e ficou guardado na memória, como uma deliciosa recordação, com o gostinho da sua infância.

Em 99% dos casos essa bebida tem o mesmo nome: tubaína, um refrigerante criado há quase um século por imigrantes italianos no interior de São Paulo, com aparência de guaraná e um gosto que se assemelha ao tutti-frutti. Todo mundo já tomou tubaína. E todo mundo gostou.

Se lembra da jaqueira? A fruta no capim? Dos sonhos que você contou pra mim? Os passos no porão, lembra da assombração, e das almas com perfume de jasmim? Pois desde 2009 há um lugar em São Paulo onde podemos fazer essa rápida viagem no tempo, matando um pouquinho da saudade das lembranças das tardes na casa da avó ou do refrigerante tomado na vendinha da esquina.

O Tubaína Bar nasceu da idéia das sócias Daniela Gato e Veronica Goyzueta, que traziam em si essa grande vontade de revisitar o passado e a sensação de que não estariam sozinhas nessa empreitada. Elas criaram um ambiente retrô e simples, charmosamente decorado com poltronas antigas e mesas, cadeiras e balcão revestidos de fórmica.

Criaram também um cardápio de comidinhas muito especial, onde cada mordida é uma rápida viagem pelo tempo e pelo interior do estado. Da cozinha comandada pela chef piracicabana Sol Caldeira saem coisas como cuscuz mole, bolinhos de frango de Itapetininga, coxinhas de feijão, bolinhos caipira, bolos de cenoura, bolinhos de cuscuz com queijo, sanduíches de mortadela ou de pernil e, claro, as clássicas pamonhas de Piracicaba. Tudo completado com um perfumado café, servido no bule.

Das geladeiras saem tubaínas e mais tubaínas. São cerca de 40 tipos do refrigerante, incluindo as famosas Baré Cola, a Grapette, a riopretense Totuba, o maranhense Guaraná Jesus e até a peruana Inca Kola. São elas que fazem a alegria de um público jovem e descolado, que poucas vezes na vida apreciaram essa bebida, mas também de gente de todas as idades que visita o bar atrás da cada vez mais preciosa bebida.

Se lembra do futuro que a gente combinou? Eu era tão criança e ainda sou… Querendo acreditar que o dia vai raiar só porque uma cantiga anunciou…

E o dia raia com muitas novidades, indicando que nem só de passado vive o Tubaína. Uma delas é um cardápio para o público vegano, mas que agrada a todos, com coisas como moqueca de abóbora, sanduíche de caponata com banana chips, exibidinho de cogumelos, penne ao sugo, parafuso à putanesca e outros.

Outra, claro, está na parte de bebidas, que incluem o chopp Bamberg e as cervejas Colorado, além de um grande número de drinques à base de tubaína, como o Mojaína, o Supimpa, o Eu Tenho a Força ou ainda o delicioso e exótico Cosmopolitan do Agreste, que leva morango, maracujá, tubaína, cachaça e pimenta, preparado com esmero pela simpática e habilidosa bartender, recepcionista e um pouco de tudo, Isis Moucdcy.

Mas é bom se apressar, porque as multinacionais andam engolindo tudo e pode ser que a qualquer hora as pequenas fábricas desapareçam. Aproveite agora para curtir essa bebida com gostinho de saudade. Pode ser que um dia a tubaína vá realmente embora, para nunca mais voltar.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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