Por Pedro Schiavon

Pouca gente no mundo entende tanto de literatura quanto de comida, de jazz e de lugarzinhos especiais quanto o escritor Luís Fernando Veríssimo. Provavelmente ninguém. Nada mais justo, portanto, que ele seja tema dessa primeira matéria “casada” do Lugarzinho com o Cafeína Literária, estimulante blog da Cristine Tellier, que não por acaso assina o texto sobre “As Comédias da Vida Privada” e deixa sua leitura mais completa, divertida e saborosa.

O Veríssimo – o bar criado pelo chef Marcos Livi em homenagem ao escritor – tinha que ser, é claro, um gastrobar. A ideia é que seus frequentadores possam comer pratos elaborados e petiscos criativos, preparados com ingredientes selecionados, ao mesmo tempo em que ouvem um chorinho ou um jazz ao vivo, com bandas de primeira linha. Mas tudo isso num ambiente despojado, sem frescuras, com clima de botequim.

Não chega a ser o bar perfeito, até porque, nas palavras do escritor, “o Bar Perfeito não só não existe como não pode existir, é a nostalgia do que nunca houve”. Alguns detalhes explicam melhor: “o barman do Bar Perfeito deve ser, antes de tudo, um mentiroso. Ele atendia o bar do Ritz de Paris quando Scott Fitzgerald o frequentava”, e por aí vai. “Ninguém pagaria suas contas no Bar Perfeito. Proibiríamos a entrada de todo mundo, menos uns 17 eleitos. Uma vez por mês seria admitido um chato e ritualmente envenenado. O Bar Perfeito certamente iria à falência em menos de um ano. Mas aí pelo menos teríamos uma memória a lamentar, o que é melhor do que nada”.

O bar do Brooklin não é perfeito, mas chega bem perto de atender às exigências do homenageado. Prova disso foi sua participação na inauguração da casa, quando pôde conferir todos os cartazes, quadros e capas de seus livros, ilustrações de Ed Mort, das Cobras, da Família Brasil ou do Analista de Bagé espalhados pelas paredes do bar e, principalmente, provar as maravilhas do cardápio e se apresentar ao saxofone, acompanhado de sua banda de jazz.

É preciso concordar com o escritor também ao afirmar que é impossível o nosso desprendimento quando o assunto é comida. Nosso passado de canibais nos persegue. Comemos de tudo, da baleia ao escargot. E o cardápio da casa é extremamente hábil em nos despertar o mais descontrolado dos apetites.

Como se trata de um bar para comer e não de um restaurante para beber, vamos direto aos petiscos. É impossível resistir a queijos como o camembert ao forto com cogumelos e pesto ou o brie empanado com geleia de pimenta. Igualmente irresistíveis são o bolinho de rabada com crips de agrião, a conserva de frutos do mar, a Asinha do Avesso recheada, as mais de 20 opções diárias de tapas espanhóis ou ainda o premiado Pirulito de Rabada no Caixote, que traz 6 porções de rabada com polenta, picles e ovos de codorna dentro de um caixote.

Uma opção refrescante para acompanhar tudo isso são os coquetéis criados pela bartender Larisse Fonseca especialmente para o verão, como A Clássica – que leva vinho tinto, suco de laranja, rodelas de limão e laranja, brandy, morangos, gengibre e açúcar, A Silvestre – vinho branco, manjericão, kiwi, maçã, club soda, morangos, gengibre e açúcar, O Santinho – de rum, lichia em compota e manjericão, ou o Sant Tea – feito com saquê, vodka, sorbet de limão, xarope de maçã verde e chá de capim santo.

E vale a pena deixar espaço para a sobremesa, pois ali você pode ter experiências bem fora do padrão, provando a sopa de chocolate cremoso com conhaque e sorvete, a Dry Tri Legal de mousse de chocolate branco e suspiro ou o Creme Catalão com sorbet de figo fresco.

Veríssimo – o bar – é um lugar para curtir a vida, aproveitando as melhores qualidades que uma metrópole como São Paulo pode oferecer. Veríssimo – o escritor – endossa tudo isso, assinando inclusive a logomarca da casa e lamentando a distância que ela fica de Porto Alegre. Veríssimo – aqui tanto o bar quanto o escritor – é sinônimo de diversão, gastronomia, música, cultura e um grande gosto por curtir as coisas boas da vida.

 

Pedro Schiavon é editor do Lugarzinho

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