Pedro Schiavon | 09/08/2023 | 0 Comentários

FLOR CAFÉ PINACOTECA

A visão daquele grupo de mesinhas com guarda-sóis verdes ao lado do belíssimo prédio da Pinacoteca é mais do que convidativa. A imagem lembra os cafés de Paris, de Viena, de Buenos Aires ou, ainda melhor, da São Paulo de décadas passadas, que só existe hoje nos retratos em preto e branco.

A Pinacoteca em si é um convite ao olhar. Seu prédio, de uma arquitetura espetacular, foi projetado por Ramos de Azevedo e Domiziano Rossi para ser a sede do Liceu de Artes e Ofício, a quem pertenceu até 1921. Ele já valeria o passeio, ainda que não houvesse quadros em suas paredes.

Mas há. Fundado em 1905, é o mais antigo museu de arte da cidade e abriga cerca de 5 mil obras de arte brasileira, com destaque para artistas da virada do século XX, como Eliseu Visconti e Almeida Junior e para modernistas como Victor Brecheret, Lasar Segall, Di Cavalcanti e Anita Malfati, entre outros.

Confesso que minhas memórias mais vivas do local são auditivas, vindas de histórias contadas por minha mãe, da época em que estudou naquele prédio nos anos 60, quando a Pinacoteca abrigava em suas dependências a Escola de Belas Artes, o que ocorreu durante quase meio século, de 1944 a 1989.

Do mesmo modo conheci histórias ainda mais distantes – estas contadas por parentes mais velhos – de quando o prédio se tornou um quartel-general para os revolucionários paulistas de 1932. Seja como for, andar por ali é passear pela cultura e pela história deste estado.

Então, em algum momento desse passeio você é capturado pelo olfato. É o cheirinho do café (talvez o símbolo maior dessa São Paulo de outrora), que sai da pequena cafeteria no subsolo e exala pelo cantinho do museu, convidando os visitantes para momentos tão ou ainda mais agradáveis em suas mesas.

Mais do que um cafezinho, o Café da Pinacoteca – capitaneado pela Marisa, que é mãe da Mariah, que é filha do André e por aí segue a história… – traz ótimas opções para o paladar, seja para um lanche ou um almoço rápido.

Há sanduíches batizados com nomes de artistas como o Picasso, feito com queijo fundido, peito de peru e salada ou o Klee, que além de uma salada bem variada acompanha um pedaço de torta de frango ou de palmito.

Há saladas que valem por pratos, como a que leva folhas verdes variadas, peito de peru defumado, nozes, tomate e queijo fetta, a que é feita com folhas, salmão defumado, gomos de laranja e cuscuz, ou ainda a de folhas verdes, farfalle, mussarela, tomate, manjericão, champignon e molho de ervas.

E há ainda ótimas massas, como a lasanha de presunto e queijo à bolonhesa, o ravióli de mussarela com molho de tomate e manjericão ou o penne com molho de cogumelos e gorgonzola.

Mas ainda se trata de um café e, portanto, o melhor mesmo é aproveitar as opções da bebida, seja com expressos, capuccinos ou saborosos coquetéis, que podem ser acompanhados de salgados, quiches, pães de queijo etc.

Aproveite o momento para descansar a mente e aproveitar a tranqüila vista do Parque da Luz – com seus jardins simétricos de inspiração francesa, da suntuosa Estação da Luz – cartão postal paulistano que fica bem em frente, e da própria Pinacoteca – que tantas vezes passamos em frente com a distante promessa de um dia visitá-la.

É difícil, no entanto, não se entristecer com o fato de o café ser totalmente cercado por uma proteção de ferro e vidro. Ela é necessária para evitar que seus freqüentadores possam ser assaltados, saiam sem pagar a conta ou sejam incansavelmente abordados por pedintes. Deixa, porém, bem nítido para todos, o quanto andamos para trás – em todos os sentidos.

Café da Pinacoteca – Praça da Luz, 2. Tel: 3326-1131.

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