TORRONERIA BRASIL
Há sabores e aromas que carregam memórias. O cheiro de frutas secas torrando, o doce do mel derretido no ar, a crocância de um pedaço de torrone partindo entre os dentes… são sensações que, para muitos, remetem ao Natal, às festas em família, às tardes de infância. E é exatamente essa mágica que a gente sente quando passa na hora certa em um pedacinho bem improvável da rua Cardeal Arcoverde, em Pinheiros.
É ali que a Torroneria Brasil resolveu resgatar – com charme, afeto e muito sabor – essa delícia que costumava ser muito mais presente nas nossas vidas, mas que por algum motivo hoje pouco se vê por aí, exceto em algumas versões que até merecem ser evitadas.

Antes de chegar às vitrines brasileiras, o torrone percorreu uma longa estrada de tradições. E como toda boa lenda gastronômica, sua origem é disputada com fervor: espanhóis, franceses, árabes — todos querem um pedacinho dessa história. Mas é na Itália, mais especificamente na encantadora cidade de Cremona, que o torrone encontrou seu lar mais famoso.
Ali, conta-se que em 1441, durante o casamento de Bianca Maria Visconti com Francesco Sforza, os confeiteiros locais criaram um doce especial para homenagear o evento. Inspiraram-se no Torrazzo, a imponente torre do sino da cidade, e deram ao doce o formato e o nome que o tornariam eternos: torrone, de “torrione”, grande torre.
A praça principal de Cremona virou palco de uma festa que durou três dias e três noites. E o torrone nunca mais saiu de cena.

Essa parte não tem nada a ver com o doce, mas vale a pena contar: Cremona não é apenas a terra do torrone. É também a capital dos violinos, lar de luthiers lendários como Antonio Stradivari, e dona de um charme que mistura música, arquitetura e um aroma adocicado no ar – principalmente em novembro, quando acontece a Festa del Torrone.
Durante esse evento, as ruas se enchem de barraquinhas, artistas, doces de todos os tipos e formatos (incluindo torrones em forma de violino!). O cheiro se espalha por toda a cidade. Há torrones com pistache, chocolate, limoncello, café, frutas cítricas – uma festa para os sentidos.

E se a viagem até Cremona parece um sonho distante, a Torroneria Brasil aproxima esse pedacinho da Itália dos paulistanos. A marca nasceu do desejo de compartilhar o que há de mais tradicional e encantador no universo do torrone, mantendo a base clássica — clara de ovo, mel, açúcar e frutos secos —, mas também brincando com sabores, texturas e combinações que agradam aos paladares modernos.
A casa forma as barras com cuidado e embala-as como presentes. “Não é só sobre sabor — é sobre memória, aconchego, tradição”, dizem.

Mas o torrone é um doce que, mesmo sendo elaborado com técnica refinada e ingredientes nobres, mantém sua simplicidade reconfortante. Ele é um símbolo de união, de fartura, de celebração. Na antiguidade, era considerado presente de reis. Um alimento feito para durar, forte como quem atravessa longas jornadas.
Seja qual for sua origem exata, uma coisa é certa: ele conquistou muitas gerações e fronteiras. E na versão cremonesa — a mais amada, firme, repleta de amêndoas inteiras — o torrone se tornou arte.
E se você ainda não teve a chance de provar, talvez esteja na hora de começar sua própria história com esse doce ancestral.
TORRONERIA BRASIL – Rua Cardeal Arcoverde, 2109 – Pinheiros, São Paulo. Tel (11) 96304-5528






