ARTE PARA QUÊ? EP.05 – BINHO RIBEIRO
Muito antes de o grafite ocupar galerias, museus e grandes festivais internacionais, ele já pulsava nos muros da cidade como uma forma de expressão, identidade e resistência. Em São Paulo, um dos nomes fundamentais dessa história é Binho Ribeiro, artista que ajudou a construir os primeiros caminhos da arte urbana brasileira e transformou a paisagem da cidade com cores, personagens e mensagens que atravessam gerações.
Na série Arte Pra Quê?, em entrevista que você confere AQUI ou no final dessa matéria, o Lugarzinho conversa com o artista sobre os primórdios do grafite paulistano, a paixão pelos desenhos desde a infância e o encontro com a cultura de rua — um universo que mistura arte, skate, hip hop, música e ocupação dos espaços urbanos.

Para Binho, o grafite nunca foi apenas estética. Nasceu como linguagem de provocação – uma forma de existir na cidade, de ocupar territórios e de criar identidade em meio ao concreto, ao abandono e às desigualdades urbanas. Em uma época em que a arte urbana ainda era marginalizada e frequentemente confundida com vandalismo, pintar os muros também significava desafiar limites e abrir caminhos para novas formas de expressão cultural.
Ao longo da entrevista, ele relembra como São Paulo se tornou um dos grandes polos mundiais do grafite. Uma cidade onde a arte urbana ganhou força justamente pela intensidade da vida nas ruas, pela diversidade cultural e pela necessidade constante de expressão. E é aí que o grafite transforma a vida local porque cria diálogo, provoca reflexão e aproxima as pessoas da arte de forma espontânea e democrática.

Essa relação entre arte e cidade também aparece no trabalho de curadoria realizado por ele no Museu Aberto de Arte Urbana, projeto que levou obras de muitos novos artistas para os muros da capital paulista e ajudou a consolidar o reconhecimento institucional da arte urbana. O mesmo acontece com a Bienal Internacional do Graffiti Fine Art, iniciativa que conecta artistas brasileiros e internacionais e amplia o debate sobre seu papel na arte contemporânea.

Durante nossa conversa, Binho também fala sobre o momento atual da arte urbana no Brasil e no mundo. Se antes o grafite buscava reconhecimento, hoje ele ocupa galerias, exposições, marcas, festivais e espaços culturais diversos — sem perder sua essência ligada à rua, à contestação e à liberdade criativa.
Mais do que uma manifestação artística, o grafite segue sendo uma ferramenta de transformação social e cultural. E a trajetória de Binho Ribeiro ajuda a contar não apenas a história da arte urbana em São Paulo, mas também a história de uma cidade que aprendeu a enxergar seus muros como telas e suas ruas como espaços vivos de criação.






