Pedro Schiavon | 02/08/2023 | 0 Comentários

RECANTO DAS TARTARUGAS (Guarujá/SP)

A única coisa chata de morar em São Paulo é essa saudade danada do mar. O resto a gente aguenta e mesmo com toda correria, toda fobia e toda “pirataria”, a gente vai levando.

Mas a saudade do mar é que mata. Por isso, de vez em quando e sempre que possível, é preciso descer a serra, dar um mergulho numa praia qualquer e depois ficar horas olhando para ele, vendo o sol refletido em suas águas e assistir pacientemente as ondas se quebrarem na praia. É uma questão de recarregar as energias. Terapêutico, sei lá.

Um ótimo lugar para isso é o Recanto das Tartarugas, no Guarujá. O bar/restaurante fica bem no final da praia da Enseada, na entrada do condomínio Tortuga, e oferece – mais do que a ótima combinação de caipirinhas com frutos do mar – uma vista extraordinária da Enseada, com direito até a uns pedacinhos das Astúrias e de Pitangueiras.

Mais que isso: é uma ótima alternativa para quem vai com crianças, pois fica na beira da areia e o mar ali é bem calmo, dando para manter uma vigilância à distância enquanto se toma uma cerveja.

Não espere grandes coisas da decoração. O local é simples, mas arrumado, com mesas de madeira e toalhas convencionais. Por outro lado, isso deixa o ambiente mais despojado, mais com o jeitão de praia, que, no fundo, é o que se busca num lugar assim. E o principal: o que falta em capricho no salão, sobra na cozinha.

Obviamente, a especialidade são os peixes e os frutos do mar, e se você tem mais de 10 anos e menos de 80, é isso que você vai querer.

Então vale começar pelas casquinhas de siri ou de camarão e se alongar nas variadíssimas porções de lulas (à doré, frita, à provençal ou grelhada ao alho e óleo), de camarões (frito, empanado, paulistinha e outros), de mariscos (lambe-lambe ou à vinagrete) ou mesmo de peixes (manjuba, sardinha, porquinho etc).

Se você estiver com uma turma, não hesite em pedir o frito misto, que traz tudo de uma vez: camarão rosa, camarão 7 barbas, porquinho, sardinha, manjuba, trilhas de lula, postinhas de pescadas e batatas fritas.

Se a saudade for muita e o programa se tornar mais extenso, vale a pena provar pratos que são bem incomuns longe das praias, como o robalo ao forno, a garoupa em postas à brasileira com camarões, a lagosta à moda, o polvo à vinagrete ou a caldeirada, que traz um pouco de tudo e serve pelo menos três pessoas.

E se o serviço costuma ser meio lento, isto pode ser até positivo. Ninguém está ali para ter pressa e sim para curtir a vida e olhar o mar. E quanto maior a demora, melhor. Pelo menos para mim.

“Quem ouve desde menino aprende a acreditar que o vento sopra o destino pelos caminhos do mar. O pescador que conhece as histórias do lugar morre de medo e vontade de encontrar Yemanjá” (Dorival Caymmi)

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